segunda-feira, 7 de junho de 2010

Não pense, só dance


O que se pode esperar de uma canção que já começa afirmando que é para machucar os corações? Melancolia. Bem diferente da proposta do maestro das multidões.
Aquele que regia grandes platéias é o compositor e principal intérprete de “Nem vem que não tem”. Wilson Simonal fez muito sucesso nas décadas de 60 e 70. Não, eu não estava lá para ver, nem mesmo era nascida nessa época. O que acontece é que particularmente gosto muito das produções passadas.
Tive a sorte de nascer em uma família musical. Aqui se ouve muita música. Mas esta do Simonal sempre me soou aos ouvidos como uma incógnita. O ritmo é indiscutível, bom pra dançar, pra sacudir. A certeza é que a letra foi escrita depois da melodia pronta. Só para rimar. Encaixou e virou sucesso, pois tudo o que saía da boca de Wilson Simonal virava moda. Meu pai que me contou!
Lamentável seu término num verdadeiro fado solitário. Simonal reinou numa época onde tudo era censurado, menos ele. Acredito que era casto aos problemas que o país sofria, sobretudo com a ditadura militar. De tanto não se importar, terminou censurada a sua imagem. Foi excluído e esquecido.
Agora lançaram livro sobre sua vida, fizeram filme, artistas da moda regravaram suas músicas, e sua composição volta a ser o mais novo antigo hit que não pode faltar no repertório dos shows de qualquer cantor que esteja fazendo sucesso. Tudo isso não desmente aquilo que papai me falou. Ouvir “Nem vem que não tem” me vem à tona uma série de catarses. Faz-me rir com um sorriso típico de malandragem. Aqueles que se encontram no canto da boca. Coisas de Simonal. Não é pra pensar, é só pra dançar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário