quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dormir pra quê?


Insônia, a malvada e velha insônia, coisa triste que acontece com algumas pessoas. Poderia dizer aqui que isso só acontece com os ociosos, porque de tanto não ter o que fazer, perdemos o sono, mas não. Isso acontece com muitas pessoas. Então, o que fazer quando não conseguimos dormir?
Podemos separar quase que por categorias os insones, claro que nem todos se encaixarão, afinal são muitos tipos diferentes, mas vale destacar os mais freqüentes, ou seja, aqueles que estão mais relacionados ao ócio. Temos então:
* Os insistentes, os verdadeiros brasileiros que não desistem nunca. Ficam na cama, olhando para o teto até o momento em que conseguem adormecer, quando conseguem. Alguns, com janela perto de seu dormitório, conseguem assistir o nascer do sol, chegando quase a ser um momento poético. O indivíduo com a face inchada e olheiras profundas assistindo um dos mais belos momentos do nosso dia-a-dia. Meus olhos se encheram de lágrimas...
* Os noturnos saem para alguma balada. Ficar em casa fazendo o que? Tentando dormir, não vão conseguir mesmo, então saem para zoar um pouco e aproveitar a noite de sono perdida.
*Os gulosos aproveitam para atacar a geladeira em um momento aonde ninguém vai repreendê-los no meio da madrugada. Um momento só do insone, tão particular. É quando ninguém esta perto para lhe dizer que você está gordo, ou que está engordando, ou que vai acabar engordando desse jeito. É tão bom devorar tudo o que vemos a nossa frente sem nenhum chato reclamando.
* Os televisivos sentam em frente à TV e revêem seriados e filmes que já passaram mais cedo, mas na falta do que fazer e, se foi bom, por que não assistir de novo? Para essa categoria eu particularmente indico filmes românticos, daqueles bem mela cueca, porque esses dão sono e você acaba dormindo com tanto doce. Claro que não só de filmes românticos vive um insone. Alguns aproveitam o silencio da madrugada para assistir um pornozinho de leve. É mais emocionante quando a mulher geme e ninguém pode ouvir!!!
* E por último os internautas (como eu) que, quando ficam sem sono, apelam para a internet. Geralmente eu fico trocando idéias com o meu amigo Lavandier, que às vezes também está sem sono, mas existem mil coisas para se fazer na net quando se está sem sono, pesquisar preços, fuxicar a vida dos outros no Orkut, mudar a foto do perfil do Orkut, atualizar os joguinhos online. Enfim, muuuita coisa!
Mas se você também é um insone e não se encaixou em nenhuma das categorias acima, pois existem várias outras, deixe seu recado e mostre que você também tem insônia, mas de qual categoria???


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os Ociosos

A tarefa aqui é descrever o encontro do trio de ociosos que fazem esse blog. Não é o objetivo definir a palavra ócio, mas sim de sanar a curiosidade dos leitores de saberem como esse grupo formado por um químico, uma farmacêutica, e uma jornalista se uniram para fazer esse veículo.

É simples a resposta. Foi por causa da Juliana. Típica de uma musa inspiradora, ela os uniu. Eram amigos dela, somente dela. Mas a loirinha os reuniu a cerca de dez anos. De amigos dela, se tornaram conhecidos um do outro. Com tanto tempo de convivência quase que forçada em aniversários, reuniões e saídas nos fins de semana, foram obrigados a encontrar afinidades entre eles. Tarefa nada difícil. Apesar de profissionalmente tenham tomado rumos completamente diferentes, há dez atrás se preocupavam muito mais sobre como seria o fim de semana. Eles tinham uma mesma cabeça de adolescentes de classe média, que moravam no subúrbio do Rio de Janeiro.

A adolescência passou e a convivência obrigatória os tornou amigos. Lavandier sempre questionador e engraçadinho, começou sozinho a fazer um blog, escrevendo sobre coisas que vinham em sua cabeça. Boni é polêmica, e nunca teve vergonha de expor suas opiniões sobre os acontecimentos que lhe chamam atenção. Ramiro sempre escreveu, mas pouco mostrava, a não ser quando lhe pagavam.

Uma coisa levou a outra. A idéia de expor as situações em um blog de Lavandier, com as opiniões de Boni, e os textos de Ramiro, vieram a partir de uma conversa de botas batidas, no que se concluiu num trabalho hermético. Um complementa a intenção do outro, e no final, todo mundo se diverte. Apesar da Juliana, que mal pode acreditar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Capricha, Severino!

Eu não sou o que se pode chamar de um sujeito medroso. Pelo menos não no sentido clássico da palavra. Outro dia passei por uma situação onde o ônibus que eu estava resolveu pegar fogo. Enquanto todos os demais passageiros se degladiavam para tentar sair de uma vez só, eu assistia a tudo sentado, e até achava certa graça da situação. Invadir o castelo do Coopa pra salvar a princesa e chamar o Chuck Norris para o tapa eu faço numa boa.
Mas toda vez que eu vou a um restaurante meio genérico, numa lanchonete, ou num estabelecimento dirigido por orientais ilegais no país, realmente... eu tenho medo.
- Boa tarde, patrão! Quer experimentar o nosso prato do dia?

Fudeu, amigo! Pode ter certeza de que se o garçom te chamou de patrão, ele já não foi muito com a sua cara. E isso é muito, muito perigoso!

- Boa tarde! Quero sim. A carne bem passada, por favor, e batata-frita no lugar da salada.

Não, não. Resposta errada. Se você pedir pra customizar o prato do dia, pedindo algo mais complexo do que o original, aí é que você está realmente fadado a tomar no cu de acordo. Principalmente se o garçom chegar na porta da cozinha e pedir pro cozinheiro caprichar. Quando ele fala "Severino, capricha!", na verdade ele está dizendo em código: "Severino, pode sacanear esse otário!"

E o Severino, sem dúvida, vai fazer alguma coisa que até Chuck Norris (sempre falo desse sujeito, pois o admiro) acharia nojento. Ele pode cuspir no seu bife, esfregá-lo no chão ou deixar cair um pouco de suor. Você não sabe disso, então coma sem reclamar do jeito que vier. Isso porque se o bife vier mal passado e você reclamar, fudeu de novo! O garçom vai voltar com o seu prato e falar sorrateiramente pro Severino: "Passa o bife um pouco mais pro nosso camarada!"

Pro nosso camarada...

Agora sim, o Severino vai caprichar de verdade. Vai esfregar o bife no vaso, deslizar o xibiu em volta ou pior: fazer filé ao queijo, amigo. Agora sim ele vai preparar o seu bife com prazer. Literalmente.

Mas seria uma injustiça acusar os nobres profissionais da gastronomia de tratar o cliente de forma tão visceral. Agora, quando se fala dos profissionais de telemarketing, confesso que tenho calafrios.

- Boa tarde, meu nome é Valquíria. Com quem eu falo, por favor?
- Meu nome é Ricardo.
- Em que posso estar ajudando, senhor Ricardo?
- O valor da minha fatura veio errado.

Tudo errado! Ignorou o nome dela e não respondeu 'boa tarde'? Ela vai sortear um ramal qualquer e te transferir pra lá, mesmo que seja o ramal do almoxarifado. E quando te transferirem de volta e se a sua ligação cair com a Valquíria de novo, veja o que acontecerá!

- Pois não, senhor. Aguarde na linha um minuto.

Ah, sim. Agora ela vai te deixar aí uns 10 minutos e no fim vai dizer que o sistema está congestionado.

- Congestionado? Eu não tenho nada com isso! Isso é um absurdo!

Você não aprende mesmo, hein! Enquanto você estiver na metade da frase ela vai apertar o botão "mute" do aparelho e vai dizer em voz alta que você é um filho da puta e que não está ali pra ouvir desaforos de um corno mal humorado. Você não vai ouvir, mas vai sentir a "energia".

No capricho, pro senhor!

Sendo assim, enquanto você puder, evite restaurantes. Viva de miojo, Cup Noodles ou tenha sempre uma marmita debaixo do suvaco. Afinal, é melhor que o suvaco a entrar em contato com a sua comida seja o seu, e não o do Severino.

Evite também os atendentes de telemarketing, deixando de ter telefones celulares, contas bancárias e cartões de crédito. Afinal, com essa crise finaceira que está aí, você não vai ter dinheiro pra colocar no banco, isso se o banco não falir antes de você, e muito menos terá coragem de ligar pra ninguém.