quarta-feira, 5 de maio de 2010

Capricha, Severino!

Eu não sou o que se pode chamar de um sujeito medroso. Pelo menos não no sentido clássico da palavra. Outro dia passei por uma situação onde o ônibus que eu estava resolveu pegar fogo. Enquanto todos os demais passageiros se degladiavam para tentar sair de uma vez só, eu assistia a tudo sentado, e até achava certa graça da situação. Invadir o castelo do Coopa pra salvar a princesa e chamar o Chuck Norris para o tapa eu faço numa boa.
Mas toda vez que eu vou a um restaurante meio genérico, numa lanchonete, ou num estabelecimento dirigido por orientais ilegais no país, realmente... eu tenho medo.
- Boa tarde, patrão! Quer experimentar o nosso prato do dia?

Fudeu, amigo! Pode ter certeza de que se o garçom te chamou de patrão, ele já não foi muito com a sua cara. E isso é muito, muito perigoso!

- Boa tarde! Quero sim. A carne bem passada, por favor, e batata-frita no lugar da salada.

Não, não. Resposta errada. Se você pedir pra customizar o prato do dia, pedindo algo mais complexo do que o original, aí é que você está realmente fadado a tomar no cu de acordo. Principalmente se o garçom chegar na porta da cozinha e pedir pro cozinheiro caprichar. Quando ele fala "Severino, capricha!", na verdade ele está dizendo em código: "Severino, pode sacanear esse otário!"

E o Severino, sem dúvida, vai fazer alguma coisa que até Chuck Norris (sempre falo desse sujeito, pois o admiro) acharia nojento. Ele pode cuspir no seu bife, esfregá-lo no chão ou deixar cair um pouco de suor. Você não sabe disso, então coma sem reclamar do jeito que vier. Isso porque se o bife vier mal passado e você reclamar, fudeu de novo! O garçom vai voltar com o seu prato e falar sorrateiramente pro Severino: "Passa o bife um pouco mais pro nosso camarada!"

Pro nosso camarada...

Agora sim, o Severino vai caprichar de verdade. Vai esfregar o bife no vaso, deslizar o xibiu em volta ou pior: fazer filé ao queijo, amigo. Agora sim ele vai preparar o seu bife com prazer. Literalmente.

Mas seria uma injustiça acusar os nobres profissionais da gastronomia de tratar o cliente de forma tão visceral. Agora, quando se fala dos profissionais de telemarketing, confesso que tenho calafrios.

- Boa tarde, meu nome é Valquíria. Com quem eu falo, por favor?
- Meu nome é Ricardo.
- Em que posso estar ajudando, senhor Ricardo?
- O valor da minha fatura veio errado.

Tudo errado! Ignorou o nome dela e não respondeu 'boa tarde'? Ela vai sortear um ramal qualquer e te transferir pra lá, mesmo que seja o ramal do almoxarifado. E quando te transferirem de volta e se a sua ligação cair com a Valquíria de novo, veja o que acontecerá!

- Pois não, senhor. Aguarde na linha um minuto.

Ah, sim. Agora ela vai te deixar aí uns 10 minutos e no fim vai dizer que o sistema está congestionado.

- Congestionado? Eu não tenho nada com isso! Isso é um absurdo!

Você não aprende mesmo, hein! Enquanto você estiver na metade da frase ela vai apertar o botão "mute" do aparelho e vai dizer em voz alta que você é um filho da puta e que não está ali pra ouvir desaforos de um corno mal humorado. Você não vai ouvir, mas vai sentir a "energia".

No capricho, pro senhor!

Sendo assim, enquanto você puder, evite restaurantes. Viva de miojo, Cup Noodles ou tenha sempre uma marmita debaixo do suvaco. Afinal, é melhor que o suvaco a entrar em contato com a sua comida seja o seu, e não o do Severino.

Evite também os atendentes de telemarketing, deixando de ter telefones celulares, contas bancárias e cartões de crédito. Afinal, com essa crise finaceira que está aí, você não vai ter dinheiro pra colocar no banco, isso se o banco não falir antes de você, e muito menos terá coragem de ligar pra ninguém.

2 comentários:

  1. Ricardo, meu amigo, você realmente é muito sábio!! Eu digo essas paradas pros meus amigos toda vez que vamos a um restaurante e alguém manda a comida voltar... Gente que gosta de correr riscos, né? Eu não como!!! ahahahah Meu vô já foi garçom e adora contar causos da cozinha...rsrs TENSO!!!!

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