sexta-feira, 23 de abril de 2010

O sucesso de uma reboladinha

O "Fricote" de Luiz Caldas, lançado na década de 80, certamente foi um dos hits que alavancou o Axé Music. O sucesso aconteceu durante o Carnaval na Bahia, é claro, estado esse berço das composições de duplo sentido. Que fique bem claro que não é minha intenção afirmar que todos os artistas baianos compõem da mesma forma. Mas que é na Bahia que as músicas com conotações sugestivas brotam feito água, como em nenhum outro lugar, não há como negar.

A "Nega do Cabelo Duro" ficou tão famosa que o ritmo se transformou em um vírus, espalhando pelo Brasil o interesse por músicas coreografadas. E depois dessa nega, muitas outras vieram, além das loiras e morenas. Quem gostou foi o mercado fonográfico. Milhões de discos vendidos e shows caríssimos marcados por todo o país durante o ano inteiro. Uma verdadeira febre.

Mas tudo é muito igual. Entra ano e sai ano, a batida é a mesma, as dancinhas são reinventadas, mas sempre com aquela mesma coisa de mãozinha na cabeça, e na cintura, e agora rebola. Não sei qual é a graça de pagar uma grana em um show denominado micareta, onde todo mundo canta dezenas de músicas com um mesmo ritmo, dançam igual e, para finalizar, com a mesma roupa. Fico em dúvida ao tentar compreender o que tanto agrada esse público alvo. Não canso em dizer que é tudo igual. Ouvir mais que cinco músicas desse estilo de forma seguida é irritante. Imagino ter que aguentar seis horas de show, como afirmam os micareteiros. Temos que agradecer à maluca da nega.

Voltando ao ponto de partida deste texto, tento compreender não só o ritmo da música de Luiz Caldas, mas a letra. Até mesmo porque a melodia ainda pode ser ouvida no mais novo e repaginado sucesso de Axé, o Rebolation. O negócio sobrevive até hoje. A letra é infantil e sem coerência. A concisão passou longe. Mas fez e faz sucesso. E que sejam bem vindas boas composições como esta. O mercado agradece. Já o seu raciocínio, esquece...

Um comentário:

  1. Pois é. Reparou que a nossa geração não tem produzido nada de muito legal na música? Cadê os novos Jobins e Moraes? Precisamos de gente de conteúdo! Alias, há muitos jovens músicos de conteúdo mas que são abafados pela emoção rebolante do... rebolation-tion!
    rs

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