terça-feira, 13 de abril de 2010

É nada com um pouco de coisa nenhuma

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Sem dúvidas a música "É o pente", do grupo "Os Havaianos" tem uma daquelas letras que intrigam. Não há exagero nenhum em aifrmar que é umas das letras, mais e menos questionativas, da atual conjuntura. Porque o pente, ora, é o pente! Então não há motivos para dúvidas, já que o autor repete isso pelo menos umas 30 vezes por estrofe.

Mas se você leitor, é como eu, vai parar, ouvir e imaginar se por trás dessa letra de estrutura tão objetiva, tem um sentido complexo embutido, tal qual deixaria Machado de Assis com inveja. E olha que tentei até com carinho, mas não tem. A conclusão é que essa música pode ter tudo, menos letra, pois esqueceram de concluir.

Tenho pena é da terceira idade. O que eles devem pensar ao ouvir "É o pente"? Porque o funk é assim: faz sucesso por fazer, não por ser bom. Aí você questiona - como alguém que já tenha vivido pelo menos seis décadas e meia poderia estar ciente da existência dessa música?

O fato é que sempre tem aquele indivíduo que coloca o sucesso da moda no último volume do seu carro e faz questão de passar em frente às nossas casas seja a hora do dia que for. Pronto! Publicidade de graça e maciça que fãs da música nos obrigam a ouvir e disseminar. Disso não há como fugir. Todos tomam conhecimento de uma música que fala tantas vezes a mesma frase, e que até o cantor perde o fôlego quando dispara a cantar - é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, é o pente, ...

Ainda tenho dúvidas sobre o que essa música tem a dizer. Não querendo dar uma de inocente, ignorando o duplo sentido da expressão que virou uma gíria no Rio de Janeiro. Mas, para os questionadores como eu, convido a assistirem ao clipe feito pela equipe do Amantes do ócio. Depois me contem, porque eu afirmo: quero é fugir disso!

7 comentários:

  1. Sou meia suspeita para falar de funk pois verdadeiramente odeio, na minha opinião não há uma letra deste gênero que contenha algum conteúdo aproveitável de todo esses "sucessos" momentâneos na atualidade.A respeito dessa música não sei quem é pior:quem canta,quem ouve ou quem dança?Ou melhor muito pior é quem faz os três,mas como existe um ditado bem popular:Cada qual com seu gosto,e quanto a mim só me resta respeitar!

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  2. O trecho "A sequência do pente" (e claro, toda a letra)é de tirar o chapéu. O fone do ouvido. O som do pc. A tomada do rádio. O rádio do carro. O carro da frente da casa. A casa da rua. A capacidade de ouvir. Enfim! Funk é mesmo o estilo musical de tirar.

    (Monique)

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  3. É preciso muito cuidado ao se formularem juízos de valor com relação ao Funk Carioca. É fácil cair no preconceito, no clichê, no etnocentrismo e mesmo na ignorância pura e simples.
    Existem dois tipos: o funk melody, com letras românticas e os funks de comunidade que possuem letras ousadas mais conhecidas como “proibidões”. Mas o que importa pra quem curte os bailes é a batida e não a letra. Letra vulgar por letra vulgar a gnt fica com os Hip Hops amercicanso que todo mundo ouve e acha lindo!
    A questão central desse seu post é: o que o FUNK tem a dizer?
    A resposta é simples: nada.
    O funk não é pra DIZER é pra FAZER!
    É pra dançar, rebolar, se divertir! Você pode não gostar de funk, é um direito todo seu, mas te garanto que é IMPOSSIVEL a ir um baile funk carioca e ficar indiferente ao ritmo, não mexer o pezinho, não rir dos proibidões, não rir de quem tá dançando do seu lado… não se deixar contagiar pelo clima.
    Talvez o funk nunca seja encarado com um movimento cultural, até por que de fato, não é feito pra isso. Porém o funk é uma forte demonstração cultural do subúrbio fluminense, tendo se iniciado nas camadas carentes e se espalhado pelo estado todo, e agora se espalhando pelo Brasil. E não se fale de elitismo cultural e preparação acadêmica. Há muito mais cultura entre os analfabetos do sertão do que entre os jurássicos da Academia Brasileira de Letras.
    Funk Carioca é som de massa e pode ser escutado na festa do playboy da Barra, na o mauricinho da Zona Sul, do favelado e do suburbano da CDD.

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  4. O Sarney mancha a ABL... Dessa, eu não tenho nem como defender.
    Ai, que saudade do Assis...

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  5. Não vejo necessidade em ter que tomar cuidado para falar do funk. Essa discussão se é bom, que é feito só pra dançar, e que é visto hoje como uma manifestação cultural, já foi abordada no post anterior. Cultura é tudo aquilo que é produzido de forma espontânea pelo homem. Funk é cultura sim! Sabemos disso. Agora, afirmar que no sertão há mais cultura que na ABL, não conheço nenhum estudo que afirme isso. Mas entre o funk e a Academia, prefiro ficar com a mente do seu fundador, Machado de Assis. A mim agrega mais valor.

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  6. Deixar Machado de Assis com inveja é bem difícil... rsrs..

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